não sei o título “montanha mágica” está directamente associado ao livro de  Thomas Mann, até porque ainda não li a obra, mas certamente que estaremos a falar de dois excelentes “compositores” e mais uma vez “rodrigo leão, prova isso neste belíssimo álbum.

consigo com estas músicas ter uma visão cinematográfica e coreografada de cenas imaginadas tão forte que quase fico convencido que seriam todas concretizáveis.

é por isso que tudo é tão grandioso, mesmo nos pormenores das composições.

espero que a inspiração não falte, espero que possa continuar a trazer para a música todo esse sentimento genuíno, essa superação do belo.

+ rodrigo leão

 

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e na noite calada eis que surgem sons que a transformam em algo imensamente belo. sons que aludem a um passado longínquo, a uma presença medieval, a um período que renasce numa sonoridade que abraça todo o mundo, a vozes que compreendem um sofrimento e uma esperança.

passaram pela casa da música em outubro e os bilhetes esgotaram com uma rapidez que revela a legião de fãs que, naturalmente, semearam em portugal. considerando o nosso lado sombrio, o fado e o lamento, nunca será complicado gostar do estilo de música que, criativamente, produzem e que os projectam para um reconhecimento mundial.

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a verdade é que fui atraído pelo nome da banda. gosto de comboios, gosto de andar de comboio, pois é um meio de transporte cómodo e permite fazer uma série de  coisas que noutros é realmente mais complicado.

aqui falei no ambiente que se vive nos comboios, onde os rostos vazios reflectem corpos cheios de segredos. por isso são também palco de muitas histórias, completamente, desconhecidas, mas que podem marcar os seus actores.

aqui, posso apenas imaginar que os elementos deste grupo inglês podem gostar , também eles, de comboios e daí terem encontrado este nome:  ”i like trains”.

e passando para o conteúdo a verdade é que também aqui encontro matéria para gostar do que ouvi. não é algo que possa considerar inovador, mas é refrescante, não pela leveza da música, mas sim pela forma que a mensagem é exposta.

tem um lado negro que aprecio, tonalidades fortes, um timbre trágico e ritmado que faz lembrar o passar de um comboio no carril que tudo arrasa.

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este é um daqueles filmes que não nos deixa ficar indiferentes. a trama é o reflexo de uma sociedade que vende e compra o futuro das pessoas, sendo a sua representação reduzida a números que correm, a cores, no monitor de um computador.

agarrados a estas ilusões estão homens e mulheres que ganham dinheiro, com um tal volume, que se lançam em estilos de vida que pouco conseguem ter.

depois, com o passar do tempo, e como jogo que é, o risco surge e com ele as escolhas que ditam a perda ou o ganho de verdadeiras fortunas.

os efeitos colaterais são incontornáveis, mas como as pessoas não têm rosto, nem vida, nem sonhos, nem dificuldades, e são apenas ideias que surgem como que sombras , tudo é relativizado.

hoje o futuro dita estas regras, mas o mundo é suficientemente elástico para se adaptar e criar novas oportunidades num amanhã projectado em falsas esperanças.

“margin call” ou “o dia antes do fim”,  é isto tudo e muito mais. é tudo o que não cabe na nossa compreensão, porque se move em mundos que desconhecemos e nos querem ocultar.

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gosto de filmes baseados em factos verídicos.dá uma dimensão mais humana à história, transforma-a em qualquer coisa mais próxima da compreensão e da aceitação. dá a conhecer homens ou mulheres que pela sua acção “mudaram” o mundo.
este “argo” tem isso mesmo.
pelo risco, pela determinação em vencer regras estabelecidas conseguem-se grandes feitos, mas se alguma coisa falhar pode dar-se a tragédia e o objectivo é apurar responsabilidade e punir.

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há histórias que nos parecem, num primeiro momento, impossíveis de serem reais, mas na verdade elas existem e os seus protagonistas são pessoas comuns que fazem, para elas, coisas comuns. esta é talvez a essência de se tornarem tão especiais.
“Conviction” retrata a história de uma luta titânica que uma irmã empreende para fazer valer a sua convicção, que o seu irmão diz a verdade.

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o que este duo americano nos traz é uma linguagem, iminentemente, pop recheada com uma eletrónica que os coloca na etiqueta da música mais alternativa, a vulgarmente chamada, indie.

o  primeiro álbum da banda, datado de 2010 ,”The Hundred In the Hands”, é uma viagem a mundos bastante dispares, mas que dão forma a uma mensagem que foi muito apreciada pela crítica e que acabaram por ver a sua música a ser usada por uma série televisiva.

+ The Hundred In The Hands

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os japoneses Mono lançaram este “For My Parents” no ano passado. em cinco temas, entre eles “nostalgia”, conseguem atingir o nível da perfeição. é arriscado colocar as  coisas neste patamar quando não ouvi mais nenhum trabalho anterior, mas não consigo achar outro adjectivo.

escutar esta viagem celestial, electrónica muitas vezes e experimental noutras, pode, num primeiro impacto, não ser fácil, mas depois entranha-se.

o quarteto, que já tem  mais de uma década de existência, sabe comunicar, recorre apenas ao instrumental, cumprindo de forma exemplar a sua missão. talvez tenham optado por esta fórmula para evitar alguma barreira linguistica e poder conquistar o mundo mais facilmente.

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Nils Frahm - Felt

depois de ter falado no “ensaio” de Nils com Ólafur não podia deixar de explorar um pouco mais o trabalho deste alemão que explora de forma sublime um género clássico com experimentação contemporânea, aliás muito semelhante ao que tem feito Broderick, Arnalds ou Dustin O’Halloran (todos já referidos anteriormente neste blog).

este “Felt” é exemplo do que de extraordinário se pode fazer com a criatividade. não são precisas grandes produções para conseguir criar referências musicais que passam barreiras e que criam fãs um pouco por todo o mundo. aliás em 2011, quando foi editado, rapidamente se assumiu como um dos álbuns do ano ou como uma grande promessa da música alternativa.

consigo perceber esse rótulo, porque com apenas nove músicas, que parecem na sua essência contar uma história, cria todo uma atmosfera intimista, muito forte, quase um microcosmos intocável, idealista, puro.

+ Nils Frahm

 

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