
podemos ouvir música em qualquer lugar que continua sempre a ser música, mas o ambiente em que a encontramos dita-lhe o resto do corpo e dá-lhe uma alma diferente.
este, “living room songs”, com as suas características, essencialmente, instrumentais não deixa dúvidas que um espaço ideal é a nossa sala de estar com a luz apagada e com a mente totalmente vazia, apenas com espaço para fruir e crescer com cada nota que é tocada.
Ólafur Arnalds exprime aqui as suas emoções de uma forma fantástica ao ponto de ser difícil inventar palavras para descrever o que se ouve (não é só a música, é todo o ambiente imaginado, são os pequenos toques das cordas quase inaudíveis, mas que aparecem para mostrar que não são máquinas a tocar).
para mim torna-se, neste momento, mais claro que a música instrumental (contemporânea e experimental) começa a ganhar muito terreno em comparação com outros géneros. penso que possa ser uma fase, mas é tão mais fácil usufruir das coisas, sem estar distraído com letras, que por vezes são meros refrões repetidos até à exaustão.
+ Ólafur Arnalds – Livings rooms songs
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Este americano que veio ao encontro da europa, e que ficou por Copenhaga, editou este ano, “Music for Confluence”, que serve de banda sonora do filme/documentário “Confluence“.
Não é fácil explicar o que representa este colosso de experimentação clássica mesclada com modernismo. Não é estranha a reacção de gostar rápido e a sério, porque não existe grande margem para pensar duas vezes.
A composição balança entre vozes e instrumentos em harmonia e por isso as notas soam perfeitas na mesma dimensão da mensagem algo negra que passa.
E este jovem artista, com uma capacidade invulgar de criação apareceu-me quase como uma revelação, daquelas que ficam pela qualidade e que merecem ser exploradas e aprofundadas.
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encontrar álbuns perfeitos é cada vez mais improvável, mas com a quantidade de música que corre aqui pela net também não é coisa impossível. no meio de tudo isto, há aqueles que estão numa posição privilegiada, isto é, competem num patamar bem superior. penso que este “Sleep party people”, dos dinamarqueses “Sleep Party People” é um desses casos.
com um álbum, retirado das inflências sonoras do shoegaze, o conceito por detrás da sua aparência, baseia-se na exclusiva ideia, de que a música deve ser apreciada apenas pela sua essência e não deve ter mais nada que provoque a distracção, assim a máscara dos coelhos torna-se uma imagem icónica e ao mesmo tempo transmite uma sensação perturbadora (estilo donnie darko).
depois é todo um ambiente baseado num sem número de sintetizadores, caixas e instrumentos que fazem sons estranhos quase sussurrantes e que os prolongam ao limiar do infinito e da capacidade de audição humana onde as vozes se confundem de forma quase imperceptível. um resultado que convence.
+ myspace
+ last.fm

os Radiohead vêm a Portugal no dia 15 de Julho de 2012, para participar no Optimus Alive.
a data já está confirmada no site da banda. os bilhetes estão à venda a partir do dia 01 de Dezembro.
o concerto que mais aguardei nos últimos 10 anos.

começo pela capa que me impele ao consumo imediato do álbum, e isto sem pensar duas vezes. mas depois explorando o conteúdo esse impulso é imediatamente fortalecido pela qualidade da sua composição. este quarteto canadiano, mais um dos nomeados para o prémio Polaris consegue criar uma linguagem nativa, fruto da sua juventude e do cruzamento de territórios electrónicos e vocais, que resultam da facilidade de circulação da música e de projectos.
estes Braids criam então, “Native Speaker“, que alia músicas de curta duração, com cenários mais longos, baseados numa introspectiva quase laminar, em que o som pode representar o que no mais intimo vai na sua existência.
não é pois daqueles trabalhos que se grava para por no carro e ir por ai com os cabelos ao vento, é um oposto, mais resguardado, mais intimo, mais entrançado em mundos por descobrir, em cada fechar de olhos e no piscar da mente.
+ braids
+ myspace

e por esta manhã, quando tudo o resto parece que ainda dorme e o tempo lá fora convida a estar por casa, perco-me por entre melodias que podiam ser a banda sonora de um qualquer filme, desde que envolvesse o homem e a natureza e a sua eterna relação de amor e ódio. e repito-me na audição, como que se de um prémio se tratasse e “Heartland“, enche o pequeno espaço que se transforma numa grande planície onde corre uma leve brisa morna.
owen pallett, aquele dos Final Fantasy (que tiveram que mudar de nome por causa de um jogo de computador com o mesmo nome, para não criar confusões. como se isso fosse possível!), consegue criar uma atmosfera correndo à sua inconfundível voz aliado a uma série de instrumentos, que muitas vezes desaguam em sintetizadores e mais uma série de material electrónico, mas que se unem numa perfeição inquestionável.
vencedor de um Polaris (prémio para músicos canadianos e em que os Austra e Arcade Fire, entre outros aparecem na lista das nomeações deste ano) consegue já ter um trabalho consistente e com isso reunir em torno da sua figura uma série de fãs que esperam ansiosamente pelas suas criações. é nestes casos que esperar um ou dois anos por vezes transforma-se numa singular eternidade.
+ myspace

este novo talento português, que escreveu a sua primeira música quando tinha 11 anos, não demorou muito até perceber que tinha potencial e o melhor era partilhá-lo com o mundo. depois desse passo, esse mundo, não demorou a reconhecer que era tinha feito uma coisa boa e aceitou a conquista, de braços abertos.
a verdade é que existem coisas assim, mágicas, coisas que acontecem. a fnac e a optimus também já o descobriram e não tardaram dar-lhe oportunidade.
o melhor será mesmo descobrir Catarina Miranda, no seu nome artístico Emmy Curl, e o trabalho “Birds Among the lines“, que joga com a voz (descoberta posteriormente às suas criações) e todo um ambiente de cordas e piano, que transcendem num espaço etéreo, lento, denso, calmo e inspirador.
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Mice Parade ou neste caso Adam Pierce, o mesmo que já editou dois álbuns com nomes bem portugueses, como o “Bem-vinda Vontade” de (2005) e “Obrigado Saudade” de (2004) lançou este “What It Means To Be left-handed“, que só pelo nome desperta alguma curiosidade.
A verdade é que chama a si algumas participações como Caroline Lufkin (que participa na música “In Between Times”), que faz lembrar um pouco Blonde Redhead, e que tem uma linguagem a solo muito interessante, e os outros conseguem ligar perfeitamente com o estilo do nova yorquino.
Este músico consegue trilhar, neste álbum, algumas influências de outros continentes o que valoriza ainda mais o resultado final, mas nunca deixando as suas raízes electrónicas e vocais, onde o instrumental ganha uma dimensão de maior relevo.
+ myspace

Carbon Based Lifeforms é composto por um duo sueco que lançou, no ano passado, este álbum “Interloper“. a música ambiente a par de uma electrónica, easy listening, dão o mote para uns longos minutos de paisagens líquidas em que somos quase intrusos, num mundo perfeito.
já referi várias vezes que a Suécia, deve ter qualquer coisa de transcendental, e nunca é demais relembrar, porque cada vez que dou com algo de diferente é quase certo que o norte da europa está representada.
+ myspace

Austra ou Katie Stelmanis, apresenta este “Feel It Break”, que consegue unir num mesmo registo o estilo gótico e a electrónica. o exercício não é difícil, quando se tem a qualidade para isso, como é o caso desta canadiana, com aprendizagem lírica. por isso este álbum é uma excelente surpresa e tem no seu alinhamento “Lose it“, que serve de cartão de visita em qualquer sitio.
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- Ólafur Arnalds – Living room songs
- Peter Broderick – Music for Confluence
- Sleep Party People – Sleep Party People
- Radiohead 2012
- Braids – Native Speaker
- Owen Pallett – Heartland
- Emmy Curl – Birds Among the Lines
- Mice Parade – What It Means To Be Left-Handed
- Carbon Based Lifeforms – Interloper
- Austra – Feel It Break
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