Jazes no meu quarto,
a um canto
sempre com o mesmo olhar,
a mesma expressão,
a mesma indiferença,
não sei porque vives assim.
Julgas que me dá prazer ver-te assim?
Olha que não.
Olho-te e estás imóvel, quase podre,
mas continuas com a cor da morte eterna
que, até te cai tão bem.
Eu continuo a fazer tudo o que sempre fiz.
Tu, inerte como o sol explodido
colaste-te ao pó que vagueia por aqui.
Que importa enquanto vivo?
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Que importa enquanto vivo?
Em primeiro lugar, ninguém me perguntou se queria viver. Depois de cá estar, não escolhi a minha família, o meu país, a minha língua, a minha infância, etc. Entretanto passado uns anos, enquanto vivo, e pelo menos por enquanto, importa-me enquanto elementos irredutíveis: ser verdadeiro comigo, e ter sempre um pouco de liberdade para ir fazendo escolhas. Tanto mais se poderia dizer… Já agora, quem é o inerte?