Escrevo nas mãos da Claudia Clemente, assim mesmo, sem acento a carregar o «a».
Não a conheço, apenas sei que ela é arquitecta e que tem umas mãos lívidas. Talvez por isso senti-me atraído em fazê-lo, um sentido de honra a uma desconhecida.
Tapam-lhe a face por completo, mas entre as finas mãos vislumbram-se uns lábios vermelhos, nuam fotografia a preto e branco.
Está só,
e viro a página e vejo um jogo de mãos.
Agora acho que escreve, bem?, não sei,
e continuo a folhear com os meus dedos as folhas das mãos dela.