Começa um novo ano e com ele uma série de discursos, que diga em nome da verdade, nunca sei se são de ocasião ou se são realmente pensados e sentidos.
Esta questão poderia ser uma questão menor, mas não é, até porque as pessoas que proferem os tais ditos discursos, são aqueles que têm alguma responsabilidade política, ou por outras palavras têm a responsabilidade que lhes foi atribuída por sufrágio universal. Logo a necessidade que têm em transmitir determinado tipo de informação deveria ser proporcional à exatidão da mesma.
O que importa que digam que o país está a melhorar a sua situação económica ou que devemos ser mais tolerantes com os demais, quando as pessoas, e acreditem que são muitas, continuam à espera de ter dinheiro para ter o pão na mesa;
O que interessa que aquele senhor engravatado venha à televisão, quando os recursos e os instrumentos de trabalho são cada vez mais escassos e desarticulados;
O que mudam as palavras certas em interesses instalados e mecanismos rudimentares, sem interesse em serem oleados, para trabalharem o mínimo que seja;
O que altera o que se promete, quando os agentes económicos, principais destinatários dos discursos, se limitam a ouvir e na prática continuam iludir os menos esclarecidos?
Os discursos, que não digo que não sejam necessários, devem ser sustentados por práticas reais e rápidas, pois de outra forma corresse o risco de no final de 2004 o discurso ser o mesmo, o de prometer e nada fazer.
Contudo não podia deixar de referir as palavras do jornalista Luís Delgado na sua crónica Linhas Direitas, no Diário de Notícias, “…2004 vai ser um ano muito bom para Portugal”. Optimismo, necessário, ou ironia despropositada?