No último fim de semana tive a oportunidade de passar em frente à casa onde cresci. A casa é velha, tem mais de 50 anos, e pequena, e actualmente está a receber obras de restauro. Eu já não vivo lá há 5 anos, nem eu nem ninguém da minha família. Passei lá muitos momentos, bons e menos bons… e agora só me restam as recordações, muitas por sinal.
Tive curiosidade em parar para entrar, para ver se o interior era igual ao que tinha deixado, se a disposição das divisões era a mesma, mas nada disso aconteceu, passei e não parei.
Acho que muito de nós fica numa casa quando a deixamos, ficam lá partes da nossa história, paredes, janelas, aquele canto, aquela imagem daquele momento, risos, choros, tristezas e alegrias. Uma casa será uma parte da nossa alma quando nela habitamos e talvez por isso as minhas recordações persistam.
A casa ainda é amarela, ainda mora lá a minha vizinha, que me viu a crescer, e que provavelmente sabe mais sobre mim, do que muitas pessoas, que julgam saber, ou pelo menos sabe muito sobre uma parte da minha vida…a infância e a adolescência. Mas as vizinhas sabem sempre muito, mesmo que nada saibam.
Agora na rua, sobram poucas casas velhas foram, na maioria, recuperadas para os novos imigrantes, e, provavalmente, a minha velha casa amarela terá o mesmo destino. Espero que os novos habitantes criem as suas próprias recordações, que viagem, que convivam, que cresçam e que aprendam.
As minhas recordações serão eternas, serão vistas numa pequena casa amarela virada para a mata do castelo, onde todos os dias jogava com o barulho dos carros e com o barulho da natureza na sua profunda simplicidade.
Não me canso por isso em recordar, e continuar a viver.