Desde a notícia que surgiu no Público, no passado domingo, muito se tem discutido sobre as dificuldades das gentes do nosso país. Os partidos políticos não perderam a boleia para assim poderem, mais uma vez, dar a sua opinião, sobre um assunto que desconhecem verdadeiramente.
A fome que existe no nosso país não se deve só à vinda de milhares de cidadãos de leste, ou ao álcool, ou à droga, ou à sida, ou ao desemprego, não. Quem julga isso está desinformado e deveria ir ao terreno ver as verdadeiras dificuldades, quer das instituições/entidades/organizações, quer da população em geral.
As pessoas agora não têm dinheiro porque estão desempregadas e porque naturalmente são pobres, 1 em cada 5 portugueses é pobre!. A situação +e ainda mais grave porque as entidades empregadoras cometem irregulatidades, atrás de irregularidades (dizem que fazem os descontos aos trabalhadores e quando estes vão pedir o subsidio de desemprego descobrem que não têm os descontos relativos aos meses de trabalhos).
As pessoas individam-se, pela facilidade de crédito, na compra de casa, ou na compra de qualquer outro bem, e de um momento para o outro vêm-se sem capacidade de cumprir com as suas promessas. O que acontece? As pessoas optam por continuar a pagar a sua casa, afinal é um investimento sem retorno, e acabam por deixar de poder suportar determinadas despesas; infantário, atl, livros da escola, luz, água, gás, medicamentos, roupa…, e em último caso e grave, a alimentação.
As pessoas, principalmente as mulheres, vêm-se de um momento para o outro sem o seu marido, ou companheiro, as chamadas famílias monoparentais, e são elas o único recurso económico da família, têm filhos e despesas, e a família longe, pela necessidade de mobilidade na procura de emprego, e deixam de ter capacidade para pagar as suas despesas…e em último caso e grave, a alimentação.
As pessoas, que na sua maioria são analfabetas ou analfabetas funcionais, não sabem e não conhecem os seus direitos, não sabem que podem pedir o subsidio de emprego(!), o subsídio de apoio a dependentes, o abono complementar, apoio especial para deficientes, pensão social, pensão de alimentos, regulação do poder paternal…e não sabem que existem equipamentos; ipss, misericórdias, mutualidades, ong´s, cooperativas, institutos…e deixam de ter capacidade de cumprir com as suas despesas…e em último caso e grave, a alimentação.
A verdade é que não são só os mendigos que vemos na rua que passam fome, ou aquele drogrado ou sidoso, são muitos, muitos mais… e muitas vezes é mesmo o vizinho que vive ao nosso lado.
Não interessa estar com medidas de apoio à família, até 2006!, porque os problemas são de hoje, são agora e é agora que as pessoas necessitam de respostas concretas e não respostas políticas. É certo que nem tudo é mau, mas as condições de trabalho dos técnicos que todos os dias lidam com as situações de pobreza são mínimas e carecem de alterações também elas profundas.
Este governo tem que ter como preocupação a Acção Social directa e não apresentar medidas que escondem ainda mais o problema. Dentro em breve iremos assistir a listas de espera socais, em que os problemas são categorizados e os técnicos têm que inventar soluções. Mas inventar não é trabalho social é remendo social!
A fome do público não é o que esses senhores apregoam é mais e mais grave. As palavras não bastam e ai se bastarem!