Não me lembro as vezes de já ter falado, ouvido e lido à cerca da beleza e da sua relatividade, principalmente das pessoas. As pessoas feias e bonitas por dentro e vice versa. As pessoas que se vestem mal, as pessoas que se arranjam mal, mas que são interessantes. As pessoas que ligam à última moda e que são superficiais. A sensualidade, a forma de estar, a forma de falar. As formas e os conteúdos.

E quase sempre se chega à conclusão que cada um tem a sua opinião e que realmente a beleza não é assim tão importante mas que às vezes é muito importante, nem que seja para arranjar um emprego melhor.

Depois fala-se de outra beleza, da beleza de um carro, de uma peça de decoração, de uma peça de arte, de uma casa, de um museu, de uma máquina digital, de um edifício, de um cd ou uma capa, de um livro…

E quase sempre se chega à conclusão que cada um tem os seus gostos pessoais, que os gostos não se discutem, mas que até se podem criticar, que cada um tem uma leitura diferente da questão, que tudo é muito relativo.

Mas deparei-me com uma situação que me fez questionar essa relatividade toda, mesmo sendo uma situação residual. Andava na praia à procura de conchas mas percebi que para além de procurar só conchas que considerasse bonitas procurava conchas que fossem perfeitas. Na altura e até ao momento continua a fazer todo o sentido, procurar uma coisa bonita, agradável de se ver, que sirva também de peça decorativa, mesmo com posição de pouco relevo.
Mas depois pensei, até as conchas feias são descriminadas…as conchas feias!?
Qual o sentido disto? Qual o sentido?!