Entram os intervenientes na sala. As luzes e a alta temperatura parecem não incomodar. Sentam-se e as câmaras anseiam pelos planos, a realização começa a contagem decrescente e cumprimentam-se num acto de humanidade.
A entrevistadora pergunta e o entrevistado responde. Assim continuam durante largos minutos a esgrimirem argumentos ou a tentar elucidar possíveis ouvintes. Olham-se, porque já se estudaram antes, e em segundos aparece mais uma questão, mais uma dúvida, mais um esclarecimento e a cena continua. O fim aproxima-se e a respiração parece voltar a uma normalidade estranha, a sensação de dever cumprido é comum, e os músculos faciais descontraem-se de forma gradual. As luzes apagam-se e o genérico aparece agora. Na imagem, numa sombra misteriosa, ficam os intervenientes quase na mesma posição e parece que tudo contínua, parece que falam, agora sem som.
De que falarão, o que acontecerá no escuro, será que se riem… será que falarão?