Quem é que nunca resolveu ou tentou resolver um puzzle, quem é que nunca comprou ou deu um puzzle, quem é que nunca se debruçou ou desesperou a fazer um puzzle?
Recordo-me de ter uma vez comprado um e de ter ido todo contente para casa para o fazer. Demorei algum tempo, pois tinha quinhentas peças e muitas pareciam tão iguais! Na altura tive ajuda, não pelo simples acto de ajudar, mas porque as pessoas compreenderam aquilo como um desafio e estavam ali comigo horas a fio. Houve ainda momentos em que me deu vontade de desistir e de colocar tudo outra vez dentro da caixa. Depois, ainda pela magia do puzzle, sei que ofereci num Natal qualquer, uma série de puzzles a amigos. Não sei se alguma vez os fizeram. Entretanto o outro momento complicado foi: o que é que vou fazer com ele, agora que está pronto? Pensei em várias formas de preservar aquela conquista, pois pelo trabalho que tinha dado era demasiado injusto colocá-lo de novo dentro de uma caixa e guardá-lo, colá-lo numa cartolina, deixá-lo em cima de uma mesa, com todos os riscos que isso representava, emoldurá-lo. Por fim a estratégia doptada foi deixá-lo em cima da mesa, e ele com o tempo foi perdendo peças até que decidi desmanchá-lo. Desde então nunca mais tinha tentado fazer um, até à passagem de ano deste ano. Contrariando todas as probabilidades, dei comigo a fazer, mais uma vez um puzzle, e mais uma vez um desafio de 500 peças, em que tantas eram iguais! Desta vez o tema era Mordillo, da outra tinha sido uma rua de Óbidos, e os desafiados eram demasiado teimosos para deixar aquilo por muito tempo. No dia a seguir, lá mais para a noitinha, estava pronto, e desta vez numa tentativa desesperada as peças que eram tão iguais, encaixavam onde era possível encaixá-las! Batota, não, simplesmente não aceitar uma desistência face a um simples puzzle. Mas sem dúvida que foi divertido, a procura de peças, o trocar de peças, ver a obra a nascer a tomar forma.
Aconselho a todos, nem que seja uma única vez a fazerem um puzzle, de 500 peças ou mais, aquelas que considerarem executável, e deliciarem-se com esse pequeno desafio. Pode não ser numa passagem de ano, pode ser numa dessas noites frias de Inverno, sozinho ou acompanhado, mas experimentem e testem a vossa paciência!
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