A música clássica tem a sua importância inquestionável mas na minha opinião perde terreno junto da população mais jovem, comparativamente aos outros géneros músicais. Lembro-me que quando era pequeno, de vez em quando parava na onda da Antena 2 e ouvia aquela música sem vozes e que ao mesmo tempo era melodiosa mas por vezes repetitiva. Naturalmente desliguei-me, não sei antes cantarolar algumas músicas que me iam ficando no ouvido. Mais tarde, quando comprei um walkman, arranjei de um colega meu, duas cassetes que tinham as mais belas composições clássicas, e ouvias vezes sem conta. Não para mostrar que gostava mas sim porque algumas daquelas músicas eram verdadeiramente fantásticas. Cheguei a adormecer muitas vezes com o walkman ligado.
Hoje não é rara a noite que sintonizo a Antena 2. em busca de sons altenativos às músicas comerciais. Confesso que não sou minimamente entendido na matéria, apenas oiço o que gosto sem conhecer conceitos teóricos ou fundamentações artísticas. Mas devo de reconhecer que a música clássica é um excelente escape e uma outra forma de viajar.

Recordo-me de um colega que tirou filosofia e que era um consumidor compulsivo de música clássica nas suas diferentes vertentes e épocas. Uma vez chegou a referenciar-me que o dinheiro que recebia, durante o período que esteve a dar aulas, era quase na totalidade investido na música clássica e na compra de mais uma obra rara e cara. Na altura não percebi semelhante atitude, até porque era parco de recursos, mas a sua paixão era e continua a ser  demasiado forte para o não fazer. Agora entendo essa canalização de dinheiro e de tempo. Afinal existem músicas que são de uma beleza inqualificável.


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