"O Caça Piratas" ou John Kennedy.

John Kennedy é actualmente o presidente e administrador executivo da IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. A IFPI é a organização que defende os interesses da indústria discográfica internacional em todo o mundo. Recentemente deu uma entrevista ao Jornal Público em que refere que os portugueses que façam download ou upload de músicas pelos programas de Peer to Peer estão a cometer um crime.  Que algumas pessoas irão receber em casa uma carta "a convidá-los a pagar uma indemnização por desrespeito dos direitos de autor ou, em alternativa, enfrentar um processo judicial." Que acha justo pagar 0.99euros por cada música, pois e passo de novo a citar "As pessoas devem olhar para esses 99 cêntimos e pensar no que podem comprar com esse montante. Um café? Uma lata de Coca-Cola? Um bilhete de autocarro? Este preço é muito, muito baixo para uma obra de arte que se pode guardar para sempre, que se pode voltar a ouvir daqui a dez anos e dar-nos sempre imenso prazer e entretenimento." e continua "…O preço de um CD em Portugal é muito inferior ao preço de um concerto ou de uma peça no teatro" e a entrevista continua. E apesar de referir que este mercado está a perder dinheiro e que a maior parte do dinheiro gasto pelas editoras é em marketing (e provavelmente não no pagamento aos artistas como eles mereciam) a entrevista termina assim: "As vendas de música digital triplicaram em 2005 e no presente ano vão continuar a crescer de forma impressionante. Estou optimista."

Interessantes estas contradições de discurso.

Parece que de facto que a promessa começa a ser cumprida e considerando esta notícia do DN vão ser apresentadas cerca de 28 queixas crimes de utilizadores que tenham feito donwloads ou uploads utilizando o Kazaa, BearShare, eDonkey, DirectConnect, BitTorrent, WinMX e SoulSeek, para procederem ao pagamento de uma indemnização média de 2633 euros.

O Blasfémias levanta algumas questões  fundamentais e que devem estar  presentes para uma discussão  abrangente e clara. Como é que estes organismos têm acesso aos dados privados das pessoas. Onde está o sigilo e a privacidade, onde está a Comissão Nacional de Protecção de Dados ou as associações de defesa dos consumidores? Como é que são disponibilizados dados que deveriam estar apenas sob a alçada das empresas que nos prestam os serviços? Quem os autorizou?

Nos entretantos foi lançado um site, www.pro-music.com.pt, que visa a sensibilização e informação à comunidade em geral sobre o uso ilegal dos downloads e uploads e a distribuição de planfletos destinados a pais e jovens com a mesma linha orientadora.

Parece que existe de facto "o caça-piratas", em que as pessoas são informadas de uma parte e os seus direitos são depois ultrapassados à revelia dos mesmos. Este processo não me parece que esteja a ser muito bem claro para a população em geral.

São importantes estas acções, assim como outras, mas mais uma vez tudo tem que ser claro e legítimo senão caem no erro de ao querer estar a solucionar um problema de ilegalidade estarem a dar um tiro no próprio pé.


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