Quando andava na escola ouvia por diversas vezes os meus colegas a dizerem que chegavam a casa e iam para o sofá ou que adormeciam no sofá ou que faziam uma infinitude de coisas no sofá. Mas as conversas em que o sofá aparecia não era apenas na escola nem era apenas com colegas, o tema aparecia com relativa frequência e facilidade. Para mim o sofá assumia um papel extraordinário, que pessoalmente não podia expressar, visto não ter esse objecto em casa. Era pois algo que provocava algum incómodo, pois não podia dizer que tinha, e ao mesmo tempo provocava o desejo de um dia ter uma coisa dessas, para experimentar os seus famosos benefícios. Passei pois grande parte da minha vida sem experimentar ver televisão ou dormir num sofá. Muito excepcionalmente vivenciava essa experiência quando ia a casa de um amigo mais abastado. A vida, porém, passou sem o sofá.
Só mais tarde, em casa de uns amigos, dormi num sofá e a experiência não me pareceu tão fenomenal como eu imaginava.
Depois, e após uma reconstrução exemplar de um velho sofá dado por uns amigos, passei a ser possuidor de um sofá, desta feita o meu sofá.
Sinceramente penso que já me vinguei do tempo que não tinha uma coisa dessas em casa.
O sofá é sem dúvida um local social. Dá para tudo; para se sentar e ver televisão, conversar, dormir, brincar, ler, jogar, descansar…
Embora o meu não sendo, propriamente, muito confortável e de dar um "mau dormir" é o meu sofá. Agora já posso dizer que tenho sofá e entrar em conversas de sofá e ter amigos no sofá e sofasar quando me apetece…sim porque a preguiça também é desperta pelo sofá.
Quando é que vens cá ao meu sofá?