Pois bem, aqui vou eu relatar, de forma breve, alguns dos espectáculos que vi no Imaginarius deste ano.

A escolha era muita e por isso exigia uma escolha que, à partida, podia colocar de parte espectáculos igualmente bons, mas tinha que ser. Claro que podiamos ver sempre num outro dia, pois existiam peças que se repetiam, mas outras eram de actuação única. O que aconteceu também é que pela descrição do programa promocional não dava para avaliar qual a verdadeira qualidade da coisa, mas arricar era a palavra de ordem.

A primeira peça que vi foi, “A Fábrica“, pela companhia holandesa, “Doedel“. Um espectáculo que primou pelo fogo, onde o fogo “arde como um símbolo tangível da eternidade”. Durante a tarde, na preparação, nada fazia prever aquele imenso e impressionante frenesim de chamas e calor. Sem dúvida uma presença forte que não deixou ninguém indiferente. Eu não fiquei.

Imagem diurna - preparação do espectáculo

Imagem nocturna - realização da peça

Companhia Doedel - A Fábrica

A seguir a esta poderosa performance, em que os actores atiravam água por cima das cabeças para conseguirem suportar o calor das chamas, era hora de rumar a outra paragem, ir ao encontro da próxima peça. A escolha recaiu sob o espectáculo , “Führer” da companhia espanhola “Teatro de la Saca“, que apresentou “uma reflexão poética sobre o genocídio nazi durante a II Guerra Mundial”. Contudo antes ainda fomos tentar ver a peça, “Azert” do grupo português “Persona“, nas antigas instalações da cooperativa agrícola, já estava esgotado, mas ainda conseguimos entrar e percebemos que estava a ser um sucesso. Ainda bem!

Mas a peça “Führer“, foi para mim uma das melhores estreias que vi em todas as edições do Imaginarius . O poder dos actores e a sua entrega foi de tal forma que os espectadores passaram de meros observadores a participantes activos, remetendo-se estes [espectadores] para o papel de judeus que, esperavam a monte pela sua hora de chamada e partida definitiva. Sem dúvida aqueles 55 minutos foram vividos com um realismo fora do comum.

Imagens da peça

Teatro de la Saca -

Teatro de la Saca -

Bem, foi mesmo de cortar o fôlego.

Depois destas emoções a noite continuava a prometer e por isso era o momento de continuar na senda da novidade.

A parada que se realizou a seguir e que terminou no castelo pretendia inaugurar a instalação da artista plástica portuguesa, Joana Vasconcelos. Esta instalação, intitulada “Donzela” constou na criação de uma colcha gigante, formada por diversas toalhas brancas e redondas, unidas entre si e contou com a colaboração de mulheres, organizadas por grupos e crianças das escolas do 1.º ciclo. Foi estendida numa das faces da muralha do castelo e ficou durante todo o evento.

Na inauguração, que contou com centenas de pessoas, foi possível ver a obra de arte gratuitamente, após essa noite era necessário pagar para a ver, pois estava no interior do castelo. Pormenores que fazem alguma diferença.

Depois de vários, muitos, minutos à espera para entrar e assistir à inauguração, o cansaço venceu e foi tocada a retirada. Afinal no dia a seguir existiam fortes motivos para querer estar cedo e com forças para assistir a mais Imaginarius. alimentar o nosso imaginário.


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