O meu primeiro contacto com o Círculo de Leitores foi através de uma familiar que era sócia. Havia uma senhora que ia a casa, periodicamente, e que deixava uma revista. Passado algum tempo a vendedora passava lá e levava o pedido, que normalmente era um livro, e raramente outra coisa qualquer. Era engraçada a relação que se estabelecia, pois a senhora era muito simpática, atenciosa e preocupada, e calculo que até fosse complicado não encomendar nada, nem que fosse como gesto de agradecimento à dedicada pessoa.

 

Recordo-me que gostava de folhear a revista, de ver aqueles livros todos. No final vinham, sempre, os vários artigos que se podiam obter em troca de um novo sócio. Eu não tinha idade para ser sócio, por isso apenas imaginava como seria ter uma coisa daquelas. Lembro-me de que as colecções, era coisa para demorar tempo até ficar completa, pois como a revista não era mensal, e eram caras, tinha-se que negociar bem tudo.

 

Passados uns anos, quando atingi a maioridade, também eu acabei por ser sócio do Círculo de Leitores. Ainda guardo o meu primeiro livro, que foi oferecido, assim como o cartão.

 

O meu primeiro investimento foi numa colecção, que ainda guardo, religiosamente, pois para além de ter sido bastante cara, para o meu poder de compra, é algo de que gosto muito. Já a vi muitas vezes e acabo sempre por descobrir alguma coisa nova. É nesses momentos que questiono a potencialidade dos livros em paralelo com toda a informação que existe na internet. Um livro, seja ele qual for, é algo de… nobre, algo que se pode mexer, folhear, sentir, cheirar, guardar e redescobrir…é um pequeno mundo, por vezes nosso.

 

Depois acabei por deixar de encomendar livros , pois não os podia comprar e tive que”congelar” a minha condição de sócio.

 

Há pouco tempo fui a uma loja Bertrand, para comprar uma prenda, e no momento que esperava olhei à minha volta e vi, dentro da loja, uma secção dedicada ao Círculo de Leitores. Perguntei o porquê daquele espaço e explicaram-me que agora já poderia comprar, directamente, na livraria, os títulos da editora, que já não é necessário encomendar e ter uma vendedora, dedicada (!?), à porta e que posso fazer as compras à minha medida, ao meu ritmo. Perguntei se ainda seria sócio, e disseram-me que apenas teria que levar o cartão para ver se ainda poderia ser activado.

Eu achei aquilo tudo óptimo, pois há pouco tempo tinha ficado interessado numa colecção que apenas existe no Círculo de Leitores, e vi a possibilidade de a poder adquirir, e, melhor, voltar de novo a ter aquela revista cheia de coisas para escolher.

 

Depois falei deste espaço, nas lojas da Bertrand, a um amigo, que adora livros, e da possibilidade de ser sócio e de eu ganhar um qualquer brinde. Ele ficou entusiasmado e disse:-me “manda isso e faz-me sócio”.

 

Um dia destes vou à loja reactivar o meu cartão e aí enviarei a proposta de novo sócio. Quanto à colecção a ver vamos se a posso comprar.

 

Mas sem dúvida que o Círculo de Leitores é uma forma diferente de vender livros e de chegar até às pessoas.

 

 

 


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