
Estava a falar com um amigo, um dia destes, e ele disse que os Radiohead não tinham arriscado nada neste último álbum.
Eu não tinha ouvido nada, por isso não pude comentar, contudo a conversa continuou sobre a banda e o que eles significavam no panorama da música mundial.
Depois desta pequena conversa, fiquei com maior vontade de ouvir o álbum e lá fui eu para mais uma sessão de net. Consegui arranjar!
Comecei a ouvir e os Radiohead estão lá, inequivocamente, com as suas melodias, as suas frases, as suas angústias e críticas, as suas depressões e as suas deambulações.
Além disso, além do fantástico álbum que editam, que trazem à luz do dia, que partilham, está toda uma pequena revolução ao/no mundo da música.
Não sendo os pioneiros, o Prince já o tinha feito quase da mesma forma, criaram tanto ruído que é impossível ficar-se indiferente.
Penso que, quer consumidores (estes sempre à espera de revoluções gratuitas a ser favor) , quer editoras (sempre a pensar em como limitar o acesso gratuito à música e mão diminuir as suas receitas), quer agentes (que esperam sempre receber as comissões do seu trabalho), quer os promotores (que se desdenham por arranjar espectáculos e alguma tournées) não esperavam que os Radiohead avançassem com esta ideia/estratégia.
Claro que o facto de a banda estar sem editora e o mundo digital permitir estas apostas, poderia ser sempre uma hipótese em aberto para todos, mas sempre muito, ou quase improvável de acontecer. Aconteceu e agora à que tirar o proveito disso.
Não sei, por isso, se o álbum aparece nas diversas listas de Melhor Álbum do Ano 2007, pela qualidade do seu trabalho (inquestionável) ou se pelo reconhecimento geral desta nova forma de chegar ao mundo global.
Por mim será, certamente, pelo prazer de ouvir pérolas como esta, aliás o álbum já era um dos melhores, mesmo antes de ter saído.
Afinal o mérito também se conquista.
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