Lembro-me de ter dito, há uns tempos atrás, que não gostava de ler livros com muitas folhas, livros enormes, por assim dizer, e por isso optava sempre por pequenos livros de rápida leitura. Aborrecia-me só a ideia de andar muito tempo com a mesma história, com o mesmo livro, e por isso fugia deles. Uma das únicas excepções, que me lembro, foram os Maias, não por obrigação, mas por opção (e ainda bem pois é, actualmente, um dos meus livros preferidos).

O engraçado da história é que pouco depois de o ter dito recebi um livro extenso, daqueles com mais de 600 páginas! Li-o e gostei.

Com este livro a história foi outra. Não li o anterior do Miguel Sousa Tavares, mas este apareceu como uma opção inquestionável e nem sei porquê. Queria ler o livro. Recebi-o como prenda de Natal e lancei-me nele com grande energia e aproveitando umas pequenas férias de Carnaval, dei um avanço enorme tendo-o terminado de ler. Além de ter sido uma vitória, mais uma vez li um livro “grande”, foi a descoberta de mais um extraordinário livro. Foi difícil desligar da história, foi difícil não querer continuar noite dentro a ler, foi difícil não querer saber o que se ia passar a seguir com o Diogo, com o Pedro, a Amparo…com Portugal, com o Brasil, com o final da monarquia e os momentos conturbados da 1.ª República e o início do Estado Novo, foi difícil saber que estava a chegar ao fim e que a história dos Ribeira Flores ia terminar. E terminei com saudade, com a sensação de que poderia continuar e que eu não me iria cansar.

 

 

 


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