Lembro-me de quando andava na escola, quem usava óculos tinha uma vida complicada. Os nomes, que na altura, eram, carinhosamente chamados, iam desde “caixa-de-óculos” a “quatro-olhos”. Não eram pessoas de grande popularidade, mas tinham um ponto a favor, que podia, num determinado momento ser altamente estratégico: quem usava óculos escapava-se de entrar nas pequenas batalhas campais que se desenrolavam, de forma pura e dura, no recreio da escola. Há ainda aquela frase, que vai ao encontro deste estatuto de intocável: “eu não bato eu gajos que usam óculos”.
Era nesta dualidade que se vivia nos tempos de escola primária e que se fazia acompanhar durante o ciclo e até ao nono ano. A vida de quem usava óculos não era fácil mas tinha a sua coisa de protectora.
A ideia da intelectualidade aparecia já numa fase posterior em que usar óculos ligava com quem estudava e tinha melhores notas. Nesta fase era também fácil encontrar os “tótós”, aqueles que usavam óculos e que lhes conferiam um visual a roçar o…”tótó”
Daí ao estilo a coisa ainda tinha um percurso longo. Aliás apareceu já numa fase mais avançada, aí pela universidade ou associado ao pessoal capitalista.
Não é de descurar toda a utilidade do acessório óculos. A capacidade de melhorar a visão faziam toda a diferença, certamente, para quem os tinha que comprar.
Eu, num período já avançado, senti que devia de ter óculos, para ir ao encontro não sem bem de quê. Comprei e não usei, mas começava a precisar. O modelo, vejo agora, não era favorável e talvez por isso tenha havido a negação total.
Recentemente, há coisa de quatro dias, a necessidade ditou a obrigação e confesso que agora vejo tudo em definição FULL HD!
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