Li este livro nas férias, que comprei a um preço muito acessível nas promoções da Bertrand.

Quando em 2007 o autor, Valter Hugo Mãe, recebeu o prémio Saramago ,por este mesmo livro, fiquei curioso, até porque o título não é propriamente comum. Mas não foi apenas por isso, foi também por nunca ter lido nada do autor e das críticas serem bastante positivas.

O livro é de uma intensidade inquietante, violento, agressivo, cheio do regresso ao passado em que a mulher era apenas o objecto do homem e em que o homem era objecto do seu amo e senhor.

Aqui cabe ainda muita da realidade que se vive a nível nacional, a violência doméstica, o sentimento de poder, a vontade de o homem querer “educar” a mulher, como acha que deve ser, da aceitação vulgar da brutalidade, da vulgaridade do bater, do mal tratar.

Mas existe em tudo isto algum amor [assim como querem fazer querer na vida real os maltratantes], e as condições de pobreza, retratam-se na pequena barraca que acolhe todos os seres humanos e os animais.

É sem dúvida algo para o qual não se está preparado para ler. Quando terminei disse que não gostei, hoje , afastado pelo tempo, reconheço que é poderoso. Contudo continuo a gostar de outros ambientes. Não dei o tempo por perdido, afinal o aprender não ocupa lugar.

[site oficial do escritor]


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