É arriscado dizer que os portugueses são gulosos, mas é certo eu dizer que sou muito guloso, agora não tanto de bolos de pastelaria, mas mais de bolachas e bolos secos.

Recuando no tempo, aí sim, é possível ver-me a comer algumas bolas de berlim, almofadas (as do bar da escola secundária eram óptimas, recheadas com um creme branco e de ovo)  mil-folhas (únicos os da Pastelaria Marquês de Pombal),  pastéis de nata (nenhuns se comparam aos de Belém!), croissantes recheados de doce de ovo ou de amêndoa (os da Pastelaria Moderna eram fabulosos!), suspiros de açúcar (tinham que ser mal cozidos por dentro – ainda os da Pastelaria Moderna), queques de noz, bolo de arroz (este mais raramente), bolo de feijão (muitoooooo bom), queijadas, pastéis de tentugal, dom rodrigo (caseiros e do dia), caracol (com açúcar em pó por cima), éclair (os da Pastelaria Vénus eram divinais), guardanapos, quadrados (os da antiga loja do Sr. Samora!)…

Lembro-me também que fazia umas partidas malandras com alguns bolos: perguntava quem queria, quando tinham farinha ou açúcar em cima, e depois soprava para os olhos de quem ia comer!!! Enfim, era divertido.

Mas na altura era um dia de festa poder comer um bolo destes, não sendo caros, eram verdadeiras conquistas. Quando não havia dinheiro para comprar lá ia “cravar” uma trinca num bolo de alguém (amigo ou amiga, o que interessava era dar uma pequena trinca e sentir o delicioso sabor a doce).

Recordo-me ainda das visitas que fazia com mais uns amigos a uma padaria, onde eram fabricados os bolos, pela madrugada, e aí comiamos os bolos acabados de fazer. Espectáculo.

Por tudo isto foi uma surpresa quando soube do livro – Fabrico Próprio – o Design da Pastelaria semi-industrial Portuguesa. Uma compilação sistemática da arquitectura e do design dos nossos bolos, dos bolos portugueses. A ideia é excelente e o livro pode ser adquirido directamente através do site (agora está em saldos). Penso que o livro não dá para comer, mas certamente deve abrir o apetite.

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