E escolha de um livro é sempre algo especial. Não respondo ao impulso de comprar livros apenas por comprar, embora muitas vezes fosse esse o desejo, e por isso tento comprar tendo a certeza que o vou ler e só depois é que penso no próximo e assim sucessivamente. É uma opção, como outra qualquer, mas obriga-me a seleccionar com rigor o que quero e assim ter a motivação suficiente para ler e não acumular vontades.

Este “mil grous”, do japonês Yasunari Kawabata, laureado com o Nobel da Literatura, é disso um feliz acaso.

Belo do princípio ao fim, carregado das tradições japonesas, da cerimónia do chá ao processo de escolha de esposa. Forte em imagens delicadas, como folhas de papel, e levantando as questões da natureza humana com um quase romance, como papel de fundo.

Nada é existência certa, apenas passos relativos, em que pensamentos, dúvidas, olhares preenchem dias, que pelas vicissitudes da vida,  nunca são nem podem ser iguais.

Os livros vivem sempre numa linha difusa entre o  possivelmente gostar e o provavelmente desiludir, por isso não recomendo, apenas deixo pequenas impressões, tão superficiais quanto o rasto de um grou numa tarde de primavera.

Yasunari Kawabata

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