escrevo neste teclado e imagino que martelo as teclas que criam estas músicas. é um desejo, uma ilusão.

surpreende-me, novamente, esta capacidade do nada criar o imenso, intenso, imersivo discurso teatral das palavras não ditas, de meras imagens que se criam espontaneamente e rodopiam como um vendaval que levante tudo o que está em seu redor. todas as folhas, todas as penas, todas as vontades, todas as angústias, todas as dúvidas, todas as interrogações, todas as indagações, todas as tormentas, todas as derrotas, tudo.

ah! e arrasta-se um travo forte a crescer na garganta e que teima em não explodir pela boca toda, pelos olhos, pelo nariz, pelos cabelos, pelos poros, por todo o lado.

e no meio do vendaval eis que ao longe, num olhar ainda enevoado, desponta um pequeno radio de sol, que devagar aquece toda a paisagem, que lhe traz calma, uma réstia de sossego, uma bonança.

fica assim sereno, quase inanimado o mundo, à espera de um novo temporal, mas que nestes breves instantes cria de novo a vida necessária para que o ciclo recomece, lento, devagar.

questionemos o que não conhecemos.

+ ólafur arnalds

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